16 de dezembro de 2011

130 Anos - Agridoce

Para visualizar a letra da música do post de hoje, clique aqui - 130 Anos | Agridoce

Confesso que a ideia inicial do blog era somente divagar a partir de letras de Pitty - que já dão um baita pano pra manga - mas, devido à onda Agridoce na minha vida, cantando e sussurrando meus dias, resolvi quebrar um pouco a regra (?) e escrever algo sobre uma composição da dupla :D

De todas as músicas, a que mais bateu de um jeito especial foi '130 anos': meu xodózinho, um mimo. O mais engraçado é que até hoje eu sinto a mesma sensação que tive quando escutei-a pela primeira vez: a música segue normalmente e quando chega no verso "sei que é alto, mas eu vou pular" a música pára pra mim... até eu 'voltar' de novo demora um tempinho, música quase acabando. No começo não me dava conta o porquê disso acontecer, até eu entender que essa era/é a frase que eu precisava escutar para tomar coragem e ir em frente! Enfrentar com um pouco mais de coragem os meus medos e parar de esperar sempre o pior de mim.

Esse verso foi pra mim quase o assopro do "soco" que levei no estômago quando escutei 'Fracasso' (Pitty). Engraçado que na minha linha de raciocínio (de vida, eu acho), elas se completam, se adicionam: a primeira de maneira mais bruta e a segunda de um jeito mais suave... E da união das duas surgiu o que foi esse ano para mim.
Quando consegui 'prestar atenção' na música inteira, eu finalmente encaixei cada verso nos meses desse (meu) ano. E foi exatamente aquilo: me misturei tanto - um pouco de mim daqui, um pouco de mim acolá, espelhando um pouco do que eu queria que fosse - que esse "arremedo de si próprio" ficou cada vez mais claro e obscuro pra mim, a "ponto de nem se (me) reconhecer mais", mas sabendo que toda essa constante mudança|adição| aflição, acaba sendo necessário para um crescimento... aliás, creio que isso seja o crescimento.

Esse fluxo de constante mudança, mas no fundo acabar sendo um pouco do mesmo de antes, com um tanto de coisas do "hoje", me vem em mente duas questões, dentre muitas, já levantadas pelo pré-socrático Heráclito (Éfeso, aprox. 540 a.C. - 470 a.C.). Elas são abordadas em viés diferentes, mas que no final se unem e acabam em uma única coisa: a mudança constante que causa o equilíbrio das coisas:

"O contrário é convergente e dos divergentes, a mais bela harmonia." e
"Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos."

Acordando com Heráclito, o jogo, a tensão dos opostos é o que constrói e garante o equilíbrio, o ordenado, a harmonia na medida certa para que as coisas existam e não fiquem estáticas. Ao exemplo que seria impossível nos banharmos no mesmo rio duas vezes, pois apesar de ser o mesmo rio (físico), as águas que estão passando não são mais as mesmas, portanto, outro rio... mesmo sendo o mesmo, que no final não é, mesmo sendo.
É nesse jogo bilateral de extremos do equilíbrio de opostos que também seria válido pensar o ser humano, onde vai se auto-construindo e desconstruindo ao longo da vida com retalhos e panos novos, com pedaços, fragmentos e o quê mais tiver pela frente em que possa ser usado para o "arremedo de si próprio" (e também de outros (?)). Ao passo que nunca chegaremos à uma definição de nós mesmo, pois somos muita coisa para cabermos em uma caixinha de "dicionário", continuaremos nessa "metamorfose ambulante" formando/desformando "laços, pretensões"; Mesmo que queiramos dar um stop, e sermos uma única coisa por um tempo, não conseguiremos, é "esse vento sob minhas asas, eu não mando mais em nada", ordem natural das coisas, essencia... água que passa sem parar e que nos modifica e nos reinventa a cada segundo, fazendo de nós um tanto de coisas. E não é fácil percebemos tudo isso. Pode ser fácil ao ler, mas vivenciar é outra coisa. Por, às vezes, ficarmos perplexos com nós mesmos, do tipo: "não acredito que um dia fiz isso" ou "nem eu sabia que poderia fazer isso e fiz", nos mostra que, além do ciclo constante, devemos perder o medo para atravesarmos as provas postas à nossa frente:
"sei que é alto, mas eu vou pular."
E disso tudo, "aonde vão (vamos) chegar"? "nem os olhos podem ver" e creio que nunca iremos saber, mas por um acaso (ou não) chegarmos "lá", proponho "Querer Depois" (Pitty) ha ha ha (just kidding) - que, a propósito, é a minha favorita da banda \o

E olhe, poderia até imendar aqui, à esta última parte, a música "Semana que Vem" (Pitty), mas vai que fica um post muito do tipo "auto-ajuda" e aí a drama queen aqui vai acabar digitando fazendo plac plac entre lágrimas :D ha ha ha Sei que estou em dívida, pois esta era a primeira música que eu iria comentar, mas acabou que juntou tanta coisa na cabeça, que se eu fosse escrever sobre "Semana que Vem", sairia um testamento daqui, viu? Fica para a próxima ;)




OBS: esse blog não tem qualquer pretensão de analisar as músicas da banda Pitty (e agora também, Agridoce), mas apenas escrever pensamentos tomando de partida as letras :)

13 de dezembro de 2011

Agridoceando

"O mundo acaba hoje eu estarei dançando com você." - Dançando | Agridoce

Se o mundo acabasse hoje, eu estaria dançando, comigo mesma e meus pensamentos, a música mais doce e calma. Se o mundo acabasse hoje, eu estaria numa alegria imensurável e partiria com sorriso de orelha à orelha, sem olhar para trás. Se o mundo acabasse hoje, eu teria o último momento como um dos mais felizes da minha vida!


Hoje foi o primeiro show de Agridoce na capital carioca. Alguns meses atrás ficávamos só com os olhinhos brilhando ao ver as fotos e vídeos dos shows em Sampa e imaginando como isso deveria ser esquesito, maravilhoso e inesquecível ao vivo, bem diante de nós. Digo esquesito, pois encarar o novo de frente dá medo, receio, preocupação... faz-no disparar a válvula de emergência do cuidado, do "pé atrás", da precaução; E, para nós que acompanhamos a "banda - Pitty- de rock" há quase 8 anos, é "esquesito" (ou qualquer sentimento que beire o estranhamento) olhar para o palco e ver que faltam dois ali - Duda e Joe. Ver que a bateria e o baixo são inexistentes... logo estes que são opostos que se completam e se permitem existir dentro de uma banda. Sabemos que se trata de um projeto paralelo, uma válvula de escape da "pauleira" para uma pegada mais "Drake", mais natureba, tranquila, calma, apaziguador e quase (ou totalmente, dependendo do ângulo) exorcista sentimentalizadora... sim, entendemos isso, mas aqui a questão é "costume".

E foi quebrando esse costume de anos que enfrentamos "a novidade" desses músicos tão polilaterais e vastamente inteligentes, sagazes e entregues, que são capazes de se virarem do avesso sem perder suas mais preciosas qualidades musicais. Fomos ao show movidos pela curiosidade de ver como a coisa ficaria ao vivo, ali na hora, a vibe, a entrega, o diferente... e depois de um dia muito difícil (mais de 10 horas de filas, sol quente, fome/sede, alvos de olhares curiosos, etc), podemos dizer que a magia existente naquele palco Agridoce era única, ímpar, inexplicável, incomparável com qualquer coisa já feita por eles. Uma magia que não se deve ser posta acima ou abaixo da que há nos shows da banda Pitty, mas sim, deve ser somada, agregada.

Durante todo o show, as lágrimas rolavam, não só as minhas, mas as de muita gente. Era só olhar em volta para ver e sentir o jeito singular que a música chegava para cada fã, para cada pessoa que estava naquele teatro, escutando aquelas 13 músicas (às vesperas do dia 13/12) como se fosse a última vez.
Após o show, eu saí com um turbilhão de sensações até então desconhecidas por mim: sentia tristeza por ter acabado e agonia por não saber quando teria aquele show de novo; Sentia uma alegria genuína de ter tido a honra de ter escutado cada segundo daquelas composições; Sentia que o orgulho que eu tenho dos "meus músicos favoritos" é renovado a cada vez que posso comprovar isso; Sentia que eu poderia ficar no repeat por horas a fio, quase como uma terapia ideológica; Sentia que o medo que havia antes, tinha sumido completamente; Sentia vontade de chorar e sorrir ao mesmo tempo; Sentia vontade de agradecer à Priscilla e Martin pelo o que eles representam para mim e que eles não têm a mínima noção disso; Sentia que eu poderia ser feliz por aquela noite, esquecendo o mundo lá fora.



7 de outubro de 2011

Feliz Aniversário, Pitty |m|

Coincidência à parte, estreiar o blog no dia do aniversário dela, dessa Priscilla Leone (a.k.a Pitty), me parece ser um bom sinal. Então, o primeiríssimo post será todinho pra ela. No início da 'semana que vem' eu começo o blog em si :) So, here we go o/

Bom, eu poderia começar com todo aquele mela-mela existente em mensagens de aniversário para pessoas que, não importa a maneira, amamos; Mas pularei essa parte e apenas farei uso de um clichêzinho que diz: "você que faz aniversário, mas quem ganha o presente sou eu". Sim, essa é a mais pura verdade.

Às vezes, um ídolo ou um artista não faz ideia do que ele pode mover, mudar, acabar ou acrescentar na vida de um fã ou de uma pessoa que o admira. Na maioria das vezes, tais mudanças passam longe de serem meramente superficiais... e há quase 6 anos eu experimento isso. Falar de Priscilla, para mim, vai muito além da artista que vejo por aí exalando um tesão extremamente apaixonado pela música que faz... falar dela implica em um ser humano que, longe de imaginar, deu um 180º na minha vida.

Agradeço a você, dona Priscilla, por ser sempre sincera, seja na música, seja nas opiniões; Por ser tão efusiva na sua arte e por ter tocado contra-corrente e ser o que você é hoje. Obrigada por todas as vezes que me permitiu colocar a alma pra fora em um show e cantar cada verso como se fosse a última coisa que eu faria na vida. Obrigada por tantos ensinamentos (sim, ensinamentos!) passados e tantas outras opiniões que me fizeram discordar de você e construir meu próprio conceito. Obrigada por cantar muitos momentos da minha vida, muitos outros nostálgicos e outros ainda por vir. Obrigada pelos maravilhosos amigos que você me deu e pelos sonhos que me ajudou a construir (e os que estão sendo construídos e espero em breve realizá-los). Obrigada pelas melhores gargalhadas (você tem noção do quanto você é engraçada?), pelos micos (sim, muitos! hsduhuhdshuas) já pagos diretamente ou indiretamente por você(s) e pelos melhores shows da minha vida. Obrigada pelas dicas de músicas, filmes e cultura em geral (salve salve uma ídola inteligente!). Obrigada pelos infinitos: "cara, ela é foda, olha isso!" hahahaha, essa é sempre a melhor parte! Obrigada por ser um dos meus maiores orgulhos e fazer meus olhos brilharem (e um enorme sorriso de convencida aparecer XD) quando alguém elogia você e/ou a banda. E, principalmente, obrigada por você ser simplesmente... você!

Feliz 34 aninhos! Muito rock 'n' roll na tua estrada!
Erre bastante, aprenda mais ainda e experiemente ao máximo!
Amo você *-*


"Some people never go crazy. What truly horrible lives they must live."
(Charles Bukowski)