Para visualizar a letra da música do post de hoje, clique aqui - 130 Anos | Agridoce
Confesso que a ideia inicial do blog era somente divagar a partir de letras de Pitty - que já dão um baita pano pra manga - mas, devido à onda Agridoce na minha vida, cantando e sussurrando meus dias, resolvi quebrar um pouco a regra (?) e escrever algo sobre uma composição da dupla :D
Confesso que a ideia inicial do blog era somente divagar a partir de letras de Pitty - que já dão um baita pano pra manga - mas, devido à onda Agridoce na minha vida, cantando e sussurrando meus dias, resolvi quebrar um pouco a regra (?) e escrever algo sobre uma composição da dupla :D
De todas as músicas, a que mais bateu de um jeito especial foi '130 anos': meu xodózinho, um mimo. O mais engraçado é que até hoje eu sinto a mesma sensação que tive quando escutei-a pela primeira vez: a música segue normalmente e quando chega no verso "sei que é alto, mas eu vou pular" a música pára pra mim... até eu 'voltar' de novo demora um tempinho, música quase acabando. No começo não me dava conta o porquê disso acontecer, até eu entender que essa era/é a frase que eu precisava escutar para tomar coragem e ir em frente! Enfrentar com um pouco mais de coragem os meus medos e parar de esperar sempre o pior de mim.
Esse verso foi pra mim quase o assopro do "soco" que levei no estômago quando escutei 'Fracasso' (Pitty). Engraçado que na minha linha de raciocínio (de vida, eu acho), elas se completam, se adicionam: a primeira de maneira mais bruta e a segunda de um jeito mais suave... E da união das duas surgiu o que foi esse ano para mim.
Quando consegui 'prestar atenção' na música inteira, eu finalmente encaixei cada verso nos meses desse (meu) ano. E foi exatamente aquilo: me misturei tanto - um pouco de mim daqui, um pouco de mim acolá, espelhando um pouco do que eu queria que fosse - que esse "arremedo de si próprio" ficou cada vez mais claro e obscuro pra mim, a "ponto de nem se (me) reconhecer mais", mas sabendo que toda essa constante mudança|adição| aflição, acaba sendo necessário para um crescimento... aliás, creio que isso seja o crescimento.
Esse fluxo de constante mudança, mas no fundo acabar sendo um pouco do mesmo de antes, com um tanto de coisas do "hoje", me vem em mente duas questões, dentre muitas, já levantadas pelo pré-socrático Heráclito (Éfeso, aprox. 540 a.C. - 470 a.C.). Elas são abordadas em viés diferentes, mas que no final se unem e acabam em uma única coisa: a mudança constante que causa o equilíbrio das coisas:
"O contrário é convergente e dos divergentes, a mais bela harmonia." e
"Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos."
Acordando com Heráclito, o jogo, a tensão dos opostos é o que constrói e garante o equilíbrio, o ordenado, a harmonia na medida certa para que as coisas existam e não fiquem estáticas. Ao exemplo que seria impossível nos banharmos no mesmo rio duas vezes, pois apesar de ser o mesmo rio (físico), as águas que estão passando não são mais as mesmas, portanto, outro rio... mesmo sendo o mesmo, que no final não é, mesmo sendo.
É nesse jogo bilateral de extremos do equilíbrio de opostos que também seria válido pensar o ser humano, onde vai se auto-construindo e desconstruindo ao longo da vida com retalhos e panos novos, com pedaços, fragmentos e o quê mais tiver pela frente em que possa ser usado para o "arremedo de si próprio" (e também de outros (?)). Ao passo que nunca chegaremos à uma definição de nós mesmo, pois somos muita coisa para cabermos em uma caixinha de "dicionário", continuaremos nessa "metamorfose ambulante" formando/desformando "laços, pretensões"; Mesmo que queiramos dar um stop, e sermos uma única coisa por um tempo, não conseguiremos, é "esse vento sob minhas asas, eu não mando mais em nada", ordem natural das coisas, essencia... água que passa sem parar e que nos modifica e nos reinventa a cada segundo, fazendo de nós um tanto de coisas. E não é fácil percebemos tudo isso. Pode ser fácil ao ler, mas vivenciar é outra coisa. Por, às vezes, ficarmos perplexos com nós mesmos, do tipo: "não acredito que um dia fiz isso" ou "nem eu sabia que poderia fazer isso e fiz", nos mostra que, além do ciclo constante, devemos perder o medo para atravesarmos as provas postas à nossa frente:
"sei que é alto, mas eu vou pular."
E disso tudo, "aonde vão (vamos) chegar"? "nem os olhos podem ver" e creio que nunca iremos saber, mas por um acaso (ou não) chegarmos "lá", proponho "Querer Depois" (Pitty) ha ha ha (just kidding) - que, a propósito, é a minha favorita da banda \o
E olhe, poderia até imendar aqui, à esta última parte, a música "Semana que Vem" (Pitty), mas vai que fica um post muito do tipo "auto-ajuda" e aí a drama queen aqui vai acabar digitando fazendo plac plac entre lágrimas :D ha ha ha Sei que estou em dívida, pois esta era a primeira música que eu iria comentar, mas acabou que juntou tanta coisa na cabeça, que se eu fosse escrever sobre "Semana que Vem", sairia um testamento daqui, viu? Fica para a próxima ;)
OBS: esse blog não tem qualquer pretensão de analisar as músicas da banda Pitty (e agora também, Agridoce), mas apenas escrever pensamentos tomando de partida as letras :)
7 comentários:
"outro rio... mesmo sendo o mesmo, que no final não é, mesmo sendo." [/ Isso foi um máximo kkkkkkkkkk
ficou bem legal (auto-ajuda pakas kkk). Bem lembrado você esta nos devendo Semana que vem.
Esperando os próximo (yn)
By: Scuro
Coisa mais linda! Sempre a gente faz aquele balanço né, de como foi o ano ... muitas coisas eu queria que não tivessem acontecido, mas assim é a vida, cheia de peripécias pelo caminho. Adorei o post, de verdade :)
Gostei de mais, parabéns
É sério que você falou de Heráclito, ô doida? HUEIAHEIAHEIAUE. Adoreeei *-* muito nerd mesmo hihi. O blog todo está lindo e você (como sempre) escrevendo muitíssimo bem. Arrasou, gata :D e assim que você escrever mais, eu quero ler.
ps: o nome do do blog também tá genial *-* ("que criativa, faz publicidade? hihi). saudades, bee. ;*
Nossa, super amei o texto e as outras postagens. A Pitty e o Martin já leram isso? Acho que ela deveria ler, pois está muito bom! Já compartilhei o link no facebook e no twitter >D
"Caro é transformar-se num arremedo de si próprio a ponto de nem se reconhecer mais" .. engraçado que essa frase também resume meu 2011. pena que não foi uma transformação positiva em todos os aspectos, mas como até as coisas ruins nos fazem crescer, vamos rumo a um 2012 cheio de aprendizado e amor próprio \o/
ps: texto muito bem escrito, e estou muito feliz por você, e por todas as coisas que você conquistou esse ano. e caso não tenha percebido, foram MUITAS! :)
Adorei, vou ali escutar a canção ("130 anos") pra complementar!
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